‘Culpa do PSOL’: Amorim acusa partido de barrar defesa das mulheres e trava pauta de homenagens

Jefferson Lemos

O clima explodiu no plenário da Alerj nesta terça (23). O deputado Rodrigo Amorim (PL) acusou o PSOL de sabotar a votação de um projeto que amplia a legítima defesa das mulheres — e não economizou nas palavras: “Hoje, você mulher do Rio, poderia ter uma lei que garante sua proteção. Isso não aconteceu por culpa única e exclusiva do PSOL”.

Da tribuna, Amorim foi direto ao ataque e classificou a atuação do partido como contraditória. “Um partido que se diz defensor das mulheres criou obstáculos para garantir o direito delas se defenderem. Isso é inaceitável”, disparou. Segundo ele, as emendas apresentadas impõem “mais burocracia” e restringem o acesso aos instrumentos apenas a vítimas já agredidas: “Querem impedir que a mulher se previna. É um contrassenso”.

O deputado também elevou o tom ao falar do cenário de violência: “Num momento de aumento da violência contra a mulher, travar um projeto como esse é grave”. E reforçou que a proposta — de autoria dele e da deputada Sarah Poncio (PL) — amplia ferramentas de proteção. “A gente quer dar meios de defesa antes da violência acontecer. Não depois”.

Mas o discurso não parou na crítica. Amorim anunciou retaliação imediata e abriu uma nova frente de confronto dentro da Casa: “Se é do jogo obstruir, nós também vamos jogar. O PL entra em obstrução contra os projetos do PSOL”. E foi além: “Vamos pedir verificação de todas as medalhas e homenagens propostas pelo PSOL”.

A deputada Renata Souza (PSOL) tentou dar o troco pedindo verificação de todos as homenagens propostas pelo PL. Com a votação em bloco acordada no encontro de líderes suspensa, representantes de outros partidos ainda tentaram contornar a situação, mas sem consenso, a sessão acabou sendo encerrada. No fim, a proposta em defesa das mulheres, que poderia ter avançado nesta terça, acabou soterrada pelo embate político — e virou mais um capítulo da guerra aberta no plenário.

O projeto em questão, o PL 6.142/25, permite o acesso a instrumentos não letais, como armas de eletrochoque e sprays de defesa pessoal, ampliando o direito para mulheres a partir de 18 anos — e, em alguns casos, desde os 16, com autorização.

 

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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