A economia brasileira continua crescendo, mas já pisa no freio. O PIB avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE. O resultado ficou pouco acima dos 0,4% esperados pelo mercado, mas representa uma forte desaceleração diante da alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.
O sinal mais preocupante veio de quem sustenta boa parte da economia: as famílias. O consumo recuou 0,4% no trimestre, depois de crescer 0,8% no início do ano. É a primeira queda após dois trimestres de avanço e o pior resultado desde o fim de 2024.
Na prática, o brasileiro está comprando menos — e os juros altos ajudam a explicar o freio. Mesmo após quatro cortes consecutivos, a Selic chegou a agosto em 14% ao ano, mantendo crédito e financiamento caros e dificultando tanto o consumo quanto os investimentos.
O cenário fica ainda mais evidente quando se olha para os setores. Serviços cresceram apenas 0,2% e a indústria, 0,1%, praticamente parando. Quem segurou o resultado foi a agropecuária, com alta de 2,8%, e a indústria extrativa, que disparou 3,4%.
Os investimentos ainda avançaram 1,2%, mas também perderam velocidade: no primeiro trimestre, a alta havia sido de 3,4%.
Para economistas, o recado dos números é claro: a economia ainda cresce, mas está perdendo fôlego. O mercado já projeta expansão de apenas 1,92% para o PIB em 2026, segundo o Boletim Focus.
E há uma combinação que preocupa: juros elevados, famílias endividadas e consumo em queda. Com o mercado de trabalho ainda aquecido, o freio no consumo mostra que o aperto monetário começa a pesar cada vez mais sobre a economia.
O resultado divulgado nesta terça-feira é também o último PIB conhecido antes das eleições de outubro. O próximo retrato da economia brasileira, referente ao terceiro trimestre, só será divulgado pelo IBGE em dezembro.
