Fila da aposentadoria no governo Lula cresce 172%

Jefferson Lemos
Para quem gosta de estatística, desde o fim do governo Bolsonaro o aumento foi de 172% (Arquivo/EBC)

Se o ditado popular diz que brasileiro “adora uma fila”, o INSS resolveu transformar a máxima em espetáculo nacional. No fim de 2025, o instituto bateu o maior número de pedidos acumulados em pelo menos 17 anos: 2,9 milhões de processos parados. Para quem gosta de estatística, desde o fim do governo Bolsonaro o aumento foi de 172%.

Mais da metade desses pedidos — 62,6% — já estão fora do prazo legal de 45 dias. Traduzindo: milhões de brasileiros aguardam aposentadoria, pensão, auxílio por incapacidade ou benefícios básicos para sobreviver, enquanto a fila anda mais devagar que novela das nove.

O que explica o caos?

– Demanda explosiva: O Brasil envelhece rápido e o INSS recebe até 1,3 milhão de novos pedidos por mês.
– Falta de gente: Desde 2010, o órgão perdeu cerca de 40% dos servidores.
– Orçamento furado: Quando os pedidos forem finalmente analisados, entre 40% e 50% viram benefícios pagos, inflando as contas públicas. Para 2026, a previsão é de um rombo extra de R$ 9,5 bilhões além do orçamento sancionado.

Promessas que viram fila

O presidente Lula prometeu reduzir o gargalo, mas até agora a fila só cresceu. Analistas apontam que, sem reforço de pessoal e sem planejamento orçamentário, o governo corre atrás de um problema que já virou bola de neve. Enquanto isso, cidadãos como Danice Matheus de Oliveira, que pediu aposentadoria por invalidez em 2020, esperam tanto que já poderiam se aposentar por tempo de serviço. “É desgastante, viu?”, resume ela — em uma frase que poderia ser o slogan oficial do INSS.

O retrato final

O Brasil conseguiu transformar a aposentadoria em uma espécie de reality show cruel: milhões de participantes, nenhuma eliminação e prêmio só para quem resiste anos na fila. A burocracia venceu, e o povo segue esperando. Afinal, se fila é tradição nacional, o INSS é o verdadeiro guardião da cultura brasileira.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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