‘De embrulhar o estômago’, diz governador de SC — Até quando monstros serão tratados como crianças?

Jefferson Lemos
Cão indefeso é morto por quatro adolescentes e caso revolta sociedade (Reprodução/Redes Soiais)

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão contra os quatro adolescentes – ou melhor, monstros mirins – da alta sociedade catarinense acusados de espancar a pauladas o indefeso cão comunitário Orelha, mascote da Praia Brava, que não resistiu aos graves ferimentos. Há informações de que os mesmos adolescentes teriam, uma semana antes, afogado um outro cão na praia, entre outros relatos de crueldade.

O caso chegou ao gabinete do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, que não ficou em silêncio diante da barbárie. Em pronunciamento público, ele determinou a intensificação imediata das investigações e classificou as provas já reunidas como “de embrulhar o estômago”, reconhecendo a gravidade do caso e o impacto que a morte de Orelha causou na sociedade.

Segundo Mello, o episódio ultrapassa a esfera de maus-tratos a animais e exige políticas permanentes de proteção, já que expõe a vulnerabilidade de seres indefesos e a falência de um sistema que ainda trata adolescentes violentos como se fossem apenas “menores em formação”.

A operação que já nasceu fracassada

Agentes em campo, documentos apreendidos, investigação em andamento. Mas apesar do esforço da polícia, todos já sabem o desfecho — nada vai dar em nada. Afinal, os acusados são menores de idade, blindados por um sistema que insiste em tratá-los como “crianças em formação”, mesmo quando demonstram um apetite monstruoso pela violência.

O crime que chocou a comunidade

Orelha, um cão de 10 anos dócil e querido, desapareceu por dias até ser encontrado agonizando. A brutalidade do ataque expôs não apenas a crueldade contra um animal indefeso, mas também a falência de uma sociedade que permite que adolescentes transformem a praia em palco de tortura. O mascote virou símbolo de uma luta que vai muito além da causa animal: é sobre a incapacidade do Estado de proteger os vulneráveis.

Impunidade garantida

– Adolescentes identificados: quatro, todos menores.
– Investigação paralela: apura-se se houve coação de testemunha por parte de um policial civil, pai de um dos envolvidos.
– Consequência provável: medidas socioeducativas brandas.

Enquanto isso, a sociedade assiste ao espetáculo da impunidade, onde a lei é apenas uma coleira frouxa que nunca aperta.

A revolta popular

Moradores e ativistas como Luisa Mell tomaram as ruas da Praia Brava em protesto, exigindo justiça pela morte brutal de Orelha. ONGs e protetores independentes denunciaram a barbárie, enquanto políticos já falam em erguer uma estátua em memória do cão comunitário. Um monumento pode até emocionar, mas não resolve o problema central: a legislação frouxa que transforma monstros em “menores infratores” e garante a eles a impunidade. O que o país precisa não é de bronze, mas de uma revisão urgente das leis que hoje protegem os agressores e deixam desprotegidos os indefesos.

Até quando?

Hoje foi Orelha. Amanhã pode ser uma criança, um idoso, qualquer ser humano que cruze o caminho desses adolescentes blindados pela lei. A morte do cão não é apenas um crime contra os animais, é um alerta brutal de que a impunidade juvenil é a incubadora perfeita para futuros agressores.
E a pergunta ecoa, sem resposta: até quando vamos aceitar que monstros sejam tratados como crianças?

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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