O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu, durante a campanha de 2022, zerar a fila do INSS. Três anos depois, o cenário é o oposto: o número de brasileiros aguardando análise de benefícios previdenciários e assistenciais dobrou e alcançou 2,86 milhões de requerimentos em outubro de 2025, segundo dados oficiais do instituto. Trata-se do maior patamar já registrado, superando inclusive o pico da gestão Bolsonaro, que havia chegado a 2,03 milhões em janeiro de 2020, em meio a uma pandemia mundial sem precedentes recentes.
Além disso, denúncias de fraude envolvendo o instituto ampliaram a pressão sobre o governo Lula.O desgaste já repercute no cenário eleitoral e político.
Contradições na gestão
Enquanto a fila para concessão do BPC disparou — passando de 511 mil pessoas em junho de 2023 para 898 mil em setembro de 2025 — os pedidos de aposentadoria diminuíram, caindo de 357 mil para 283 mil no mesmo período. O contraste evidencia que o gargalo maior está nos benefícios sociais, especialmente aqueles voltados a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência.
O que diz o INSS
O INSS atribui o crescimento da fila a mudanças na legislação e ao perfil demográfico da população, além da nova metodologia de cálculo da renda familiar para concessão do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Segundo o instituto, a análise dos benefícios muitas vezes envolve outros órgãos, o que torna o processo mais lento. Em nota, o INSS afirmou que tem implementado mutirões e criou um comitê de enfrentamento à fila, mas os resultados não se refletem na redução da fila.
Lula prometeu zerar a fila, mas entregou um recorde histórico. O INSS tornou-se símbolo de um desafio que mistura envelhecimento populacional, disputas políticas e palco de fraude. A fila, que deveria ser eliminada, transformou-se em um dos maiores problemas da gestão petista.
