O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, voltou a ser palco de cenas de desespero e indignação neste domingo (28). Passageiros, em sua maioria brasileiros, relataram esperas superiores a seis horas no controle de passaportes, sem acesso a água, comida ou banheiros. As denúncias, feitas nas redes sociais, descrevem idosos e crianças submetidos a condições precárias, enquanto a fila se arrastava sem previsão de solução.
– Um viajante afirmou que sua mãe, de quase 70 anos, ficou seis horas em pé “sem comida, sem água, sem banheiro, junto com centenas de outros”.
– Outro descreveu a situação como “desumana”, destacando que a espera era “praticamente exclusiva para brasileiros”.
– Vídeos mostram protestos, vaias e passageiros exaustos, alguns deitados no chão com crianças.
A crise não é inédita. No último dia 17, passageiros também enfrentaram mais de seis horas de espera. A ministra da Administração Interna de Portugal, Maria Lúcia Amaral, já havia admitido no Parlamento que a implementação do novo Sistema de Entradas e Saídas (EES) do Espaço Schengen “correu muito mal”. O modelo substituiu os carimbos manuais por registros eletrônicos e biométricos, mas falhas de coordenação, falta de agentes e problemas tecnológicos agravaram o cenário.
Segundo Amaral, as filas médias chegam a três horas, com picos de seis. “Prejudica-nos reputacionalmente, economicamente e compromete a segurança do aeroporto”, declarou, pedindo desculpas.
Enquanto isso, passageiros relatam voos perdidos, falta de informações e guichês fechados. A ANA, empresa que administra o aeroporto, não havia se pronunciado até o fechamento desta edição.
Com turistas frustrados e reputação internacional abalada, o principal hub aéreo português está mergulhado em uma crise que parece longe de terminar.
