O Rio de Janeiro amanheceu sob impacto de uma operação da Polícia Civil que prendeu, nesta quarta-feira (11), o vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário do prefeito Eduardo Paes (PSD). A ação mira um esquema de lavagem de dinheiro e apoio logístico ao Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país. Além do parlamentar, cinco policiais militares foram detidos.
As apurações revelam que Salvino Oliveira, ex-secretário especial da Juventude, teria negociado diretamente com a cúpula do CV para garantir exclusividade em campanhas políticas na comunidade Gardênia Azul. Em troca da “autorização” dos criminosos, o vereador teria oferecido benefícios, como a instalação de quiosques.
O ajuste teria sido feito com Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como um dos principais líderes da facção. Salvino nega qualquer envolvimento.
Os policiais militares presos são suspeitos de vazar informações estratégicas para o grupo criminoso. Já Márcia Nepomuceno é acusada de dar suporte às operações do CV, reforçando o elo entre o tráfico e setores da política.
Ao chegar à delegacia, Salvino afirmou ser vítima de perseguição:
“Entrei na política para mudar a vida das pessoas e estou sendo alvo de uma briga política que não é minha”, declarou.
A defesa do parlamentar disse aguardar esclarecimentos das autoridades para compreender os fatos.
Entre os alvos ainda foragidos está Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa do traficante Marcinho VP e mãe do rapper Oruam. Segundo as investigações, ela atuava como intermediária do marido em ações da facção. Também é investigado Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho.
