Turistas do crime transformam Copacabana em supermercado 0800

Jefferson Lemos
Gaúchos foram flagrados em Copacabana tentando levar para casa duas garrafas de whisky importado, avaliadas em quase R$ 1.500, sem pagar (Divulgação/Pcerj)

A Operação Contra Golpe segue acumulando capítulos dignos de novela policial. Desde dezembro, 20 pessoas já foram presas por furtos qualificados, estelionatos e golpes variados contra o comércio da Zona Sul. O mais recente episódio ocorreu neste fim de semana, quando três gaúchos — Mateus de Souza Cardoso, Antônio Carlos Rosa de Lima e Maria Jurema de Souza — foram flagrados em Copacabana tentando levar para casa duas garrafas de whisky importado, avaliadas em quase R$ 1.500, sem pagar.

O ‘turismo’ do furto

Hospedados em Copacabana para as férias de janeiro, o trio decidiu incluir no roteiro turístico uma visita criminosa ao supermercado. A estratégia era simples e cínica: esconder bebidas em sacolas retornáveis e passar pelo caixa como se fossem clientes comuns. Não satisfeitos, já haviam furtado carnes e bebidas dias antes, somando quase R$ 2 mil em prejuízo.

Polícia enxugando gelo

Apesar da eficiência da Polícia Civil, que prendeu os criminosos em flagrante e devolveu os produtos ao estabelecimento, a sensação é de que o trabalho investigativo se perde diante da legislação branda e ultrapassada. Os artigos 155 e 288 do Código Penal ainda tratam quadrilhas organizadas como se fossem “deslizes juvenis”. Resultado: a polícia prende, mas a legislação solta — e o ciclo se repete.

O contexto maior

A operação já desmantelou quadrilhas de estelionatários, falsários e golpistas que atuavam em supermercados e lojas da Zona Sul. Houve até casos de turistas estrangeiros flagrados em furtos de artigos de luxo. A cada semana, novos nomes engrossam a lista de capturados, mas a pergunta que ecoa é: até quando a impunidade vai transformar Copacabana em palco de ‘turismo criminal’?

Até quando?

Enquanto comerciantes e moradores convivem com prejuízos e insegurança, a Polícia Civil segue enxugando gelo, tentando conter uma onda de crimes que se alimenta da falta de punição efetiva. A Operação Contra Golpe mostra resultados, mas sem uma reforma penal, continuará sendo uma série de temporada longa — com reprises semanais e roteiro previsível.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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