Uma agressão brutal em plena luz do dia, no coração da Zona Sul do Rio, reacendeu o debate sobre impunidade e violência. A artista de rua Fátima Candeias, de 62 anos, foi atacada com um soco no rosto enquanto cantava louvores em frente a um supermercado no Catete — e agora cobra mudanças urgentes nas leis.
‘Cadê as autoridades?’
Ainda com o olho roxo, Fátima usou as redes sociais para desabafar — e o tom foi de revolta com o que considera um cenário de impunidade crescente no país.
“Cadê as autoridades? O feminicídio está aumentando cada dia mais… e não se faz nada. Não se faz nada”, disse.
A artista também criticou a fragilidade das leis brasileiras:
“O código criminal é muito falho. Você agride uma pessoa… e não dá em nada. Não dá em nada”, afirmou.
Em outro trecho, ela reforça a sensação de injustiça:
“Mesmo havendo flagrante, com testemunha, com tudo… a pessoa responde em liberdade, paga uma cesta básica. E como é que fica o nosso interior?”
Violência banalizada
O caso expõe um problema maior: a banalização da violência e a sensação de que crimes do dia a dia ficam sem punição efetiva.
“Hoje se mata por qualquer coisa, se agride por qualquer coisa. Intolerância total”, lamentou.
Mesmo após a agressão, Fátima afirma que não vai parar:
“Eu não vou desistir”, declarou.
Pressão por mudança
A vítima pede que o caso ganhe visibilidade não apenas por ela, mas por outras mulheres — especialmente idosas — que enfrentam situações semelhantes.
“Não é só por mim. Quantos casos a gente vê? Muitos. Essas leis têm que ser mudadas”, cobrou.
O episódio, que poderia ser tratado como mais um caso isolado, escancara um sentimento cada vez mais presente nas ruas: o de que, para muitos crimes, a punição simplesmente “não dá em nada”.
Entenda o caso
A agressão aconteceu na tarde de quinta-feira (16) e foi registrada como lesão corporal na 9ª DP (Catete). Segundo a vítima, a confusão começou após um homem reclamar do som. A Guarda Municipal chegou a ser acionada, mas não encontrou irregularidades na apresentação.
O episódio parecia encerrado — até que o agressor voltou.
“Eu disse que não queria conversar, e foi quando ele me agrediu”, relatou Fátima, que sofreu um soco direto no olho após ter o braço segurado pelo suspeito.
Ela foi atendida no Hospital Municipal Souza Aguiar, passou por avaliação oftalmológica e realizou exame de corpo de delito no IML. O agressor foi ouvido e o caso encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim) — o que, na prática, costuma resultar em punições leves.
