A chamada “faxina” promovida pelo governador em exercício, Ricardo Couto, celebrada por parte da mídia, acende um alerta.
Ao rotular centenas de pessoas como “funcionários fantasmas”, cria-se um precedente perigoso. É razoável acreditar que, em tão pouco tempo, seja possível avaliar com precisão a função de cada agente da Secretaria de Governo, por exemplo?
A atuação pública, sobretudo em pastas como a Segov, vai muito além dos gabinetes. O Estado tem 92 municípios, e muitos profissionais trabalham em campo, articulando políticas e atendendo demandas regionais — longe do olhar burocrático tradicional.
Simplificar essa realidade pode gerar injustiças e abrir espaço para perseguições políticas disfarçadas de moralização.
Combater irregularidades é necessário. Mas sem critério e transparência, o risco é transformar uma ação legítima em exposição indevida.
