Sob a gestão de Eduardo Paes (PSD), a Prefeitura do Rio tem sido igual coração de mãe: sempre cabe mais um — ou uns, milhares de uns. Entre 2020 e 2024, o número de servidores “estranhos aos quadros” na Administração Direta subiu de 8.196 para 13.737, um salto de 67,6%.
Os dados são do Boletim Estatístico de Pessoal do Poder Executivo, do Tribunal de Contas do Município (TCM-Rio). O levantamento mostra uma tendência de ampliação do espaço de vínculos mais precários, menos estáveis e mais dependentes da vontade política daquele que estiver no poder em determinada época.
Assim, conforme cresce o quantitativo de servidores que não pertencem ao quadro efetivo, aumenta junto a margem para o uso político da máquina pública — seja por nomeações, acomodações, contratações temporárias ou montagem de estrutura de apoio com baixa proteção institucional. Ou seja, o bom e velho “cabide de empregos”.
Dessa maneira, a máquina deixa de ser apenas administrativa e passa a ser também instrumento de poder. Em vez de fortalecer o servidor concursado e a estrutura permanente do Estado, a gestão reforça uma engrenagem mais vulnerável ao clientelismo, à fidelização política e à ocupação do poder público por critérios de conveniência.
