O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, acabou caindo na pegadinha de Lula. Ao reproduzir uma versão apresentada pelo presidente sobre a dívida do Estado, deu crédito a uma declaração que contrasta com registros públicos de reuniões realizadas entre o governo federal e o então governador Cláudio Castro para tratar exatamente desse tema.
Em entrevista à revista Veja, Couto contou que procurou Lula e foi prontamente recebido. “Ele logo me atendeu e mencionou que era a primeira vez em muito tempo que um governador do Rio entrava em contato para falar do assunto. Contou que o último com quem teve uma conversa do tipo foi Sérgio Cabral, já que não tinha uma relação de proximidade nem de empatia com Cláudio Castro.”.
O problema é que os fatos conhecidos apontam em outra direção. Desde 2023, Cláudio Castro participou de reuniões com Lula e integrantes do governo federal justamente para negociar a dívida fluminense. Os encontros foram divulgados pelo Palácio do Planalto, pelo Governo do Estado e amplamente noticiados pela imprensa, incluindo reportagem da CNN Brasil.
Ao longo da entrevista, Ricardo Couto fez questão de reforçar que “não é político”. Mas, ao repetir uma versão que contrasta com fatos públicos e documentados, acabou entrando de vez em uma polêmica tipicamente política. No fim da conversa, ao ser perguntado em quem votaria para governador e presidente, respondeu: “Em geral, escolho mais perto da eleição, mas vocês nunca vão descobrir.”
