Casos recentes nos Estados Unidos envolvendo gigantes da tecnologia reacenderam o debate sobre privacidade e vigilância — e já colocam o Brasil em estado de atenção. No Rio de Janeiro, a CPI das Câmeras da Alerj investiga contratos suspeitos e possíveis vínculos com o crime organizado. O relatório final será lido, discutido e votado nesta segunda-feira (23).
O sequestro de Nancy Guthrie, mãe de uma apresentadora de TV norte-americana, revelou que o FBI conseguiu acessar imagens da câmera Nest, da Google, mesmo sem serviço de nuvem ativo. O episódio levantou dúvidas sobre até onde vai o controle das empresas sobre dados privados.
Poucos dias depois, a Amazon exibiu no Super Bowl um comercial da Ring em que câmeras com inteligência artificial monitoravam a vizinhança em busca de um cachorro perdido. O vídeo foi celebrado pelo público, mas também criticado por transformar vigilância em espetáculo e reforçar a sensação de invasão.
CPI das Câmeras
No Rio de Janeiro, a CPI das Câmeras apura irregularidades em contratos de videomonitoramento público, suspeitas de pagamentos a criminosos para resgate de veículos roubados, além de possíveis ligações com milícias e casos de sonegação fiscal.
Durante os trabalhos, a comissão — presidida pelo deputado Alexandre Knoploch (PL) — realizou oitivas com representantes de empresas, convocou responsáveis para prestar esclarecimentos e identificou práticas de recuperação de veículos por meio de serviços paralelos ao trabalho policial.
Entre os pontos debatidos pelos parlamentares estão:
- uso irregular do espaço público,
- falta de transparência nos contratos,
- falhas nas instalações,
- e impactos potenciais à privacidade da população.
O dilema da privacidade
Assim como nos EUA, a questão central é a mesma: quem controla as imagens e como elas podem ser usadas?
- Nos EUA: empresas de tecnologia são acusadas de manter acesso a dados privados sem consentimento explícito.
- No Brasil: investigações apontam que sistemas de monitoramento podem estar sendo usados em esquemas ilegais e lucrativos.
- O ponto comum: cidadãos se perguntam se câmeras garantem proteção ou apenas ampliam o poder de quem controla as imagens.
A CPI pode até se encerrar, mas o debate está longe de terminar. Entre a promessa de segurança e o risco de invasão, cresce a percepção de que câmeras não apenas registram imagens — elas revelam poder.
