Em meio a ameaças nucleares e guerras em curso, a inteligência artificial surge como coadjuvante inesperada no espetáculo da destruição. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 para simbolizar a proximidade da aniquilação global, foi ajustado nesta semana para 85 segundos da meia-noite — o ponto teórico do fim. Nunca estivemos tão perto.
Além das bombas, os cientistas destacaram a inteligência artificial como ameaça crescente. Não se trata apenas de robôs tomando empregos, mas da possibilidade de sistemas autônomos serem usados em decisões militares, manipulação de informação em escala global e até no desenvolvimento de armas. Em um cenário onde líderes já demonstram pouca responsabilidade, entregar poder a algoritmos pode ser o empurrão final para o relógio bater a meia-noite.
O ajuste representa quatro segundos a menos em relação ao ano passado. Parece detalhe, mas é o suficiente para transformar a metáfora em manchete: três vezes em quatro anos os cientistas aproximaram os ponteiros, mostrando que a humanidade tem talento para acelerar sua própria ruína.
A matemática da catástrofe
O Boletim dos Cientistas Atômicos, organização sediada em Chicago, apontou que o comportamento de Rússia, China e Estados Unidos pode ser decisivos. O enfraquecimento dos tratados de controle de armas nucleares – desencadeados pela guerra na Ucrânia e desgastados pelo conflito no Oriente Médio – empurra o planeta para o abismo. E, como se não bastasse, a inteligência artificial entra na equação, levantando dúvidas sobre quem — ou o quê — decidirá o próximo ataque.
Diplomacia em colapso
Alexandra Bell, especialista em política nuclear e presidente do Boletim, foi direta: “O risco de uso de armas nucleares é insustentavelmente alto”. Estruturas diplomáticas de décadas estão ruindo, a ameaça de novos testes nucleares voltou ao radar e três operações militares já ocorrem sob a sombra de arsenais atômicos.
O relógio não atrasa
O recado é cristalino: estamos a menos de um minuto e meio da meia-noite. Se o ponteiro chegar lá, não haverá segunda edição do jornal para contar a história.
