Quem diria que o terrorista mais implacável do Haiti viraria um devoto da paz da noite para o dia? Wilson Joseph,o brutal líder da gangue 400 Mawozo — mestre em tocar o terror com sequestros, extorsões e estupros coletivos —,subitamente descobriu o amor pela diplomacia. O milagre aconteceu no exato instante em que o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, cansou de conversa e despachou 2 mil soldados armados até os dentes para caçar a facção, que cometeu o erro crasso de sequestrar quatro militares salvadorenhos num mercado.
Aterrorizar a população indefesa era fácil, mas ver o exército de Bukele na porta da frente foi demais para o estômago do criminoso. Procurado pelo FBI com uma recompensa de US$ 1 milhão na cabeça, o chefão correu para mandar uma carta cheia de drama ao Secretário-Geral da ONU, implorando por uma trégua. Com uma cara de pau inacreditável, o sujeito que fez fama barbarizando famílias agora diz estar “muito preocupado” com a violência e teme que a resposta salvadorenha seja movida por uma “lógica de vingança”. Sensível, não?
A conta do terror finalmente chegou com frete expresso, e o valente das ruas descobriu que a água bateu no pescoço. Acostumadas a dominar 80% de Porto Príncipe sem achar oposição à altura, as gangues haitianas bateram de frente com a lendária “mão de ferro” salvadorenha e sentiram o baque. Pedir arregar para a ONU depois de construir um império de barbaridades só prova o velho ditado: todo valentão é leão para bater, mas vira gatinho miando por clemência quando o bicho pega de verdade.
