A goleada que o Brasil levou da Noruega fora de campo

Jefferson Lemos
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Por Jefferson Lemos*

O Brasil tem uma economia quase quatro vezes maior que a da Noruega. Ainda assim, basta comparar a vida dos dois povos para perceber que o placar é outro. Enquanto o brasileiro convive diariamente com corrupção, violência, insegurança jurídica, baixa confiança nas instituições e serviços públicos que vivem em crise, os noruegueses desfrutam de alguns dos melhores indicadores de qualidade de vida do planeta. A diferença não está no tamanho da economia, mas na qualidade da democracia e na força das instituições.

Há um detalhe que desmonta muitos preconceitos. A Noruega não é uma república; é um reino. O rei Harald V é o chefe de Estado, mas quem governa é um primeiro-ministro escolhido dentro de uma democracia parlamentar. A monarquia constitucional nunca impediu o país de construir instituições sólidas. Pelo contrário. Segundo o Democracy Index, da Economist Intelligence Unit, a Noruega ocupa o 1º lugar entre 167 países, com nota 9,81. O Brasil aparece apenas na 57ª posição, com nota 6,49, permanecendo na categoria de “democracia falha”. O recado é simples: não é a forma de governo que determina o sucesso de uma nação, mas a qualidade de suas instituições.

Essa diferença aparece muito além dos rankings. Na Noruega, a alternância de poder ocorre com naturalidade, a confiança entre sociedade e Estado é elevada, a corrupção está entre as menores do mundo, a segurança jurídica favorece investimentos e o cidadão acredita que as regras valem para todos. No Brasil, apesar das eleições livres e competitivas, organismos internacionais continuam apontando problemas relacionados ao funcionamento das instituições, ao Estado de Direito, à corrupção, à violência e à baixa confiança da população no poder público. Não por acaso, a Noruega figura entre os países menos corruptos do mundo e lidera os índices de desenvolvimento humano, enquanto o Brasil segue distante dessas posições.

É claro que ninguém explica o sucesso da Noruega por um único fator. O país tem uma população pequena, riqueza proveniente do petróleo e uma longa tradição institucional. Mas existe um padrão difícil de ignorar: as nações que lideram os rankings de democracia, Estado de Direito, transparência e confiança institucional costumam ser também as que oferecem mais segurança, liberdade, inovação, renda e qualidade de vida. Instituições fortes não resolvem todos os problemas, mas dificilmente um país consegue prosperar de forma duradoura sem elas.

Talvez esse seja o debate que o Brasil ainda precise fazer. Passamos décadas discutindo quem ocupa o poder, quando a questão mais importante é como fazer as instituições funcionarem independentemente de quem esteja no governo. O tamanho do PIB impressiona estatísticas. O que transforma a vida das pessoas é uma democracia de qualidade, sustentada por instituições fortes, previsíveis e confiáveis. É por isso que, fora dos gramados, a goleada da Noruega sobre o Brasil já dura há muito tempo.

 

  • *Jefferson Lemos é jornalista e comentarista político
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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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