A deputada estadual Índia Armelau (PL) subiu o tom nesta terça-feira (2) e fez duras críticas ao governo federal durante sessão na Alerj. Logo na abertura, ela foi direta: “Eu queria trazer uma notícia boa… mas não dá.”
Índia denunciou o que classificou como abandono de estudantes com deficiência visual em todo o país. “Pela primeira vez na história, mais de 45 mil pessoas com deficiência começaram o ano sem material didático”, afirmou.
A crítica atinge o Ministério da Educação (MEC), que prometeu em fevereiro distribuir quase 20 mil livros táteis com investimento de R$ 27 milhões. “Prometeram quase 20 mil livros… e até agora não entregaram nem metade.”
Mais de 90 dias depois do início das aulas, o cenário segue crítico. Apenas 44,8% dos materiais foram entregues, enquanto cerca de 75% das redes de ensino ainda enfrentam falta de livros em braille. “Estamos no meio do ano e mais de 60% dessas pessoas continuam sem estudar”, disparou.
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) afirma que as entregas começaram em março e que todos os exemplares já foram contratados, mas mais de 10 mil ainda não chegaram aos alunos.
Sem material, professores improvisam com livros antigos para conseguir dar aula. Para Índia, o problema escancara prioridades do governo: “Dizem que não tem dinheiro… mas o que a gente mais vê nesse governo são gastos.”
A deputada foi além e fez um ataque direto: “Nunca foi pelas minorias, nunca foi pelas mulheres, nunca foi pelo LGBT… sempre foi pelo bolso deles.”
A situação levanta dúvidas sobre o cumprimento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante educação inclusiva. Na prática, milhares de alunos seguem excluídos por falta do básico — acesso ao material escolar.
