Título para Ludmilla gera barraco na Câmara de Niterói

Jefferson Lemos
O clima no plenário esquentou entre Benny Briolly e Fernanda Louback (Sérgio Gomes/CMN)

Em Niterói, a política conseguiu superar qualquer novela das nove. A Câmara Municipal aprovou, por 8 votos a 6, o título de cidadã niteroiense para Ludmilla — e o plenário virou um barraco. A honraria, proposta pela vereadora Benny Briolly (PSOL), foi recebida pela bancada conservadora como um escárnio. Afinal, logo após o Réveillon de 2025/2026, vereadores já haviam denunciado a cantora ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), acusando-a de apologia às drogas e conteúdo sexual em músicas apresentadas para uma plateia repleta de crianças na Praia de Icaraí.

“Toque de caixa” e lei no bolso

Douglas Gomes (PL) acusou o PSOL de atropelar o regimento para aprovar a homenagem “a toque de caixa”. Já Fernanda Louback (PL) puxou a carta da “Lei Anti-Oruam”, sancionada dias antes da virada, que proíbe a contratação de artistas que façam apologia a crimes em eventos com público infantojuvenil. O problema? Ludmilla cantou Verdinha, com versos sobre plantar e vender maconha. Para Louback, premiar a cantora é cuspir na lei e nos “valores da família niteroiense”.

Letras, gestos e confusão

Não bastasse a polêmica sobre as músicas, acusadas de objetificar mulheres e usar termos “obscenos”, o clima azedou de vez quando Benny Briolly teria debochado de Louback durante sua fala. O gesto foi o estopim para a confusão generalizada que transformou o plenário em espetáculo digno de trending topic.

O placar da discórdia

– Contra o título: Douglas Gomes, Allan Lyra, Daniel Marques, Fernanda Louback (todos PL), Michael Saad (PODEMOS) e Leandro Portugal (PV).
– A favor: Gallo (CIDADANIA), Binho (PDT), Benny (PSOL), Túlio (PSOL), Emanuel Rocha (UNIÃO), Silvyo (PT), Pipico (PT) e Leonardo Giordano (PCdoB).
– Faltaram ao barraco: Pr Maurício, Beto da Pipa, Cariello, Boinha, Morett e Farah.

O saldo político

No placar, Ludmilla levou o título. Mas os conservadores saíram com a narrativa de “vitória moral”: lembraram da denúncia já existente no MPRj, defenderam a lei e transformaram a sessão em espetáculo de indignação. O plenário virou reality show, mas quem capitalizou foram eles — com direito a respaldo jurídico para sustentar o embate.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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