FIM DA CNH AUTOMÁTICA — entenda o que muda e por que promessa caiu

Jefferson Lemos
Foto - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A promessa de renovação automática da CNH praticamente morreu antes mesmo de virar realidade. Apesar de ter sido defendida durante a tramitação da Medida Provisória 1.327, o texto aprovado nesta semana no Senado manteve a exigência de exame médico — o que, na prática, impede qualquer automatização do processo.

A análise é do professor de Direito de Trânsito Julyver Modesto, que em entrevista à CNN não poupou críticas: “Estão vendendo fumaça. Se o motorista continua obrigado a fazer exame médico, não existe renovação automática”. Segundo ele, uma emenda acolhida pelo relator, o senador Renan Filho, restabeleceu a avaliação física e mental prevista no Código de Trânsito Brasileiro — etapa essencial do processo.

Com 221 emendas apresentadas, apenas uma teve impacto decisivo — justamente a que esvaziou o principal argumento político da proposta. Para Modesto, o texto aprovado criou uma contradição: vendeu modernização, mas manteve exigências que inviabilizam a mudança. “É difícil acreditar que foi um erro. Pode ter havido acordo político para atender interesses de setores ligados à saúde”, afirma.

Apesar do recuo, outras alterações foram mantidas, como a opção entre CNH física ou digital e o teto para custos de exames. Ainda assim, o especialista rebate a lógica da proposta: “Não ter multa não garante que o motorista esteja apto. Saúde não se mede por histórico de infrações”. Agora, o projeto segue para sanção presidencial — mas a CNH automática, ao que tudo indica, não sai do papel.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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