O aumento de impostos sobre equipamentos e insumos médicos pode ter um efeito direto no bolso do brasileiro. Especialistas ouvidos pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados nesta semana alertam que a alta de custos provocada pela medida do governo federal tende a ser repassada ao consumidor, encarecendo exames, internações e pressionando ainda mais o Sistema Único de Saúde (SUS).
A preocupação gira em torno da Resolução nº 852/2026 do Gecex (órgão integrante da estrutura da Presidência da República e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), que elevou o Imposto de Importação sobre máquinas e tecnologias usadas por hospitais e laboratórios. Como muitos desses equipamentos — especialmente os de alta complexidade, como aparelhos de imagem e sistemas de esterilização — não são produzidos no país, o aumento atinge diretamente a base do atendimento. “Não faz sentido tributar o que não é fabricado aqui”, criticou o representante da Abimed, Felipe Contrera Novaes.
Na prática, o impacto se espalha por toda a cadeia. Hospitais filantrópicos, que atendem grande parte dos pacientes do SUS, compram insumos já mais caros e repassam esse custo ao sistema público. “Isso acaba onerando o SUS e, consequentemente, a população”, afirmou o consultor da Anahp, Renato Nunes.
Entidades do setor estimam que os custos operacionais de hospitais e laboratórios podem subir até 11%, pressionando planos de saúde e pacientes da rede privada. Unidades menores tendem a sentir mais o impacto, com risco de atrasos em exames e cirurgias e até redução na oferta de serviços, segundo a Federação Brasileira de Hospitais.
Sem diálogo prévio com o setor, a medida também acendeu o alerta para insegurança jurídica e queda de investimentos. Para o deputado Pedro Westphalen (PP-RS), o debate vai além de tarifas: “Estamos falando do acesso da população à tecnologia de ponta”. Enquanto isso, especialistas fazem um alerta direto: no fim da conta, quem paga é o paciente.
