O novo pacote de tarifas
O governo federal decidiu elevar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, incluindo máquinas, equipamentos industriais e até eletrodomésticos e eletrônicos como celulares e TVs. A medida foi oficializada pela resolução Gecex nº 852 e já começou a valer em fevereiro e março de 2026. As alíquotas agora se concentram em faixas de 7%, 12,6% e 20%, substituindo a antiga estrutura que tinha muitos itens com imposto zero ou reduzido.
“Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos”, alerta a Associação Brasileira das Empresas de Software em nota.
O impacto do aumento das tarifas de importação sobre as empresas brasileiras é significativo, conforme destacou Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, que atua na importação de matérias-primas, produção, logística e entrega final. Ele observa que grande parte do parque industrial nacional ainda opera com equipamentos antigos, muitas vezes com mais de 20 anos de uso e submetidos a adaptações improvisadas, enquanto a indústria de bens de capital não consegue atender plenamente à demanda interna nem acompanhar o ritmo da modernização global. Nesse contexto, o encarecimento de máquinas, peças e tecnologias essenciais compromete projetos de investimento e reduz a competitividade internacional do Brasil.
Além disso, o Fiorde Group alerta para o efeito inflacionário em diversos setores, refletido em:
– Motores de portão em condomínios
– Televisores, smartphones, roteadores e outros aparelhos eletrônicos
– Eletrodomésticos
– Manutenção de equipamentos hospitalares
– Exames médicos
– Obras de infraestrutura (como metrôs e projetos de mineração)
Esse cenário evidencia como o aumento das alíquotas pode gerar efeitos em cadeia na economia, impactando desde o cotidiano das famílias até grandes projetos estratégicos para o país.
O argumento oficial
Segundo o Ministério da Fazenda, a decisão é uma resposta ao “risco estrutural” da dependência de importados, que já representam 45% do consumo de máquinas e equipamentos e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações no Brasil. O governo afirma que a recomposição tarifária vai “reequilibrar preços relativos” e estimular investimentos na indústria nacional.
O impacto real
Na prática, quem vai sentir o peso é o consumidor. Afinal, tecnologia da informação não é um setor isolado: é a infraestrutura que sustenta toda a economia nacional. Do agronegócio à mineração, passando por energia e petróleo, todos dependem de equipamentos importados. Ou seja, o aumento não é apenas sobre máquinas e servidores — é sobre o custo de vida, a competitividade das empresas e, inevitavelmente, sobre o bolso da população.
O discurso conveniente
O governo tenta vender a narrativa de que só agora percebeu a dependência externa. Como se fosse novidade que o Brasil importa tecnologia há décadas. O argumento soa mais como desculpa para justificar a arrecadação extra: estima-se que a medida traga R$ 14 bilhões aos cofres públicos em 2026.
Recorde de impostos
O governo Lula já bateu recorde em aumento de impostos, e este é apenas mais um capítulo da saga. Com a Selic a 15% e a economia patinando, a decisão adiciona mais um obstáculo aos investimentos privados. O setor produtivo critica, mas o governo insiste em chamar de “política industrial”. O resultado? Empresas travadas, preços mais altos e consumidores sufocados.
Mais arrecadação
Em resumo: o governo diz que protege a indústria nacional, mas quem realmente está protegido é o caixa da União. O consumidor, esse sim, continua desprotegido — pagando a conta de uma política que promete futuro, mas entrega presente amargo. Afinal, no Brasil, a tecnologia é transversal, mas o imposto é universal.
