O show de Roberto Carlos mal chegou — e já provoca fortes emoções em Niterói. O evento que vai inaugurar a Arena Niterói, no dia 26, virou alvo de suspeita e abriu uma pergunta incômoda: dinheiro público pode bancar festa fechada?
Quem puxou o fio foi o vereador Daniel Marques (PL), durante sessão plenária desta terça (23), na Câmara Municipal. Segundo ele, a Prefeitura pode estar colocando cerca de R$ 4 milhões na inauguração — incluindo o show. Só que o evento não é aberto ao público: será para convidados e um grupo 60+ ligado a programas sociais.
Em bom português: pago por todos, acesso para poucos.
“Show pago pela prefeitura é porta aberta. Não pode ser para convidados”, disparou o vereador, que protocolou um requerimento para abrir a caixa-preta completa: cachê, contratos, estrutura, patrocínios e, principalmente, a lista VIP. A pergunta que ecoa nos bastidores: quem está nessa festa?
O prefeito Rodrigo Neves (PDT) já confirmou o roteiro: dia 26, evento fechado; dia 27, show aberto — mas pago. E não é barato.
Os ingressos do dia seguinte vão de R$ 692 a R$ 1.074. Sim, mais caro que um dia inteiro de Rock in Rio, que custa R$ 870 com várias atrações. Aqui, é um show só — e com preço de festival.
Para Daniel Marques, é aí que mora a suspeita mais pesada: a estrutura paga com dinheiro público no dia 26 pode estar pavimentando o lucro do evento privado no dia 27. Se for isso, o roteiro é conhecido — o público banca, o privado fatura.
“Eu não consigo acreditar que não teremos problema”, avisou Marques, cobrando resposta urgente da Prefeitura.
Vendida como novo polo de eventos, a Arena Niterói estreia sob pressão e cercada de desconfiança. Nos bastidores, a festa de arromba já virou munição política pesada.
No fim das contas, a dúvida é simples — e explosiva: quem entra na festa… e quem paga a conta?
