A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) apertou o gatilho nesta terça-feira (26) e criou, de uma só vez, quatro novas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). As resoluções foram assinadas pelo presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), e publicadas no Diário Oficial do Legislativo. Cada colegiado terá sete membros e prazo inicial de 90 dias — com possibilidade de prorrogação.
A decisão vem após um “engarrafamento” de pedidos: quando a atual presidência assumiu, em abril, havia 14 CPIs na fila. O caso foi enviado à Procuradoria da Alerj, que recomendou respeitar a ordem cronológica. Resultado: as primeiras investigações começam a sair do papel agora, seguindo essa fila.
Entre os temas, há de tudo — e com alto potencial de tensão política. A CPI proposta por Dani Monteiro (Psol) vai investigar os impactos das chuvas e da crise climática no estado. Já o deputado Anderson Moraes (PL) conseguiu emplacar uma CPI para apurar possíveis ligações entre ONGs e o narcotráfico, um dos pontos mais sensíveis da pauta.
Outra frente mira a tragédia de Petrópolis: a CPI do deputado Rodrigo Amorim (PL) vai analisar os desdobramentos do desastre de 2022, incluindo prevenção, assistência às vítimas e o destino de recursos repassados pela Alerj. Fechando o pacote, a CPI de Yuri Moura (Psol) pretende investigar falhas no fornecimento de energia da Enel no interior.
Na prática, CPIs são instrumentos poderosos de investigação dentro do Legislativo: funcionam como comissões temporárias com poder de convocação e coleta de provas para esclarecer fatos de interesse público — muitas vezes abrindo caminho para mudanças na lei ou encaminhamentos ao Ministério Público. Com quatro frentes simultâneas, a Alerj entra em modo de pressão máxima.
