O levantamento do PoderData, realizado entre 24 e 26 de janeiro de 2026 com 2,5 mil entrevistados em 111 cidades, mostra que a percepção de aumento da corrupção no governo Lula saltou de 39% em 2024 para 49% em 2026. Enquanto isso, apenas 18% acreditam em queda e 28% dizem que ficou igual. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O fantasma do passado
Lula voltou ao Planalto em 2023 tentando se livrar da sombra do Mensalão e da Lava Jato, mas os escândalos não deram trégua. A percepção de corrupção é maior entre homens (52%), pessoas de 25 a 44 anos (55%), moradores do Centro-Oeste (55%), indivíduos com ensino superior (56%) e renda acima de cinco salários mínimos (56%). Já a crença em redução da corrupção aparece mais entre mulheres (19%), idosos (22%) e famílias de baixa renda
No recorte político, a divisão é previsível: 71% dos bolsonaristas dizem que a corrupção aumentou, contra 30% dos lulistas. Por outro lado, 29% dos eleitores de Lula acreditam em diminuição, frente a apenas 8% dos apoiadores de Bolsonaro.
O risco eleitoral
Mais grave que os números da corrupção é o impacto direto na popularidade: 57% desaprovam Lula pessoalmente, contra 34% de aprovação. A desaprovação ao governo é ligeiramente menor (53%), mas ainda majoritária. O saldo negativo da imagem do presidente dobrou em dois anos, sinalizando que o desgaste não é apenas conjuntural, mas estrutural.
Conclusão
Lula prometeu “voltar para colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto”. Mas, pelo visto, quem entrou no orçamento foi a corrupção, e quem saiu foi a credibilidade.
