Governo pressiona bancos e tenta adiar alta da energia para proteger popularidade em ano eleitoral

Jefferson Lemos
Levantamento da CNC aponta que 80,2% das famílias brasileiras relataram possuir algum tipo de dívida em fevereiro de 2026 (Freepik)

Em meio ao avanço do endividamento das famílias brasileiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Ministério da Fazenda para negociar com bancos medidas que aliviem o peso das dívidas no orçamento doméstico. A ordem é clara: reduzir o comprometimento da renda das famílias e empresas, que atingiu em janeiro o maior patamar da série histórica, 29,3%, segundo o Banco Central.

A medida não é a toa. O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis recordes no início de 2026. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,2% das famílias brasileiras relataram possuir algum tipo de dívida em fevereiro de 2026.

Na segunda-feira (30), representantes do governo se reuniram com associações de instituições financeiras para discutir alternativas. Lula demonstrou preocupação com os números e pediu à equipe econômica soluções que evitem desgaste político em pleno ano eleitoral. O programa Desenrola, voltado para inadimplentes, é considerado bem-sucedido, mas agora o foco é nas famílias que, mesmo pagando suas contas, enfrentam dificuldades para fechar o mês.

Paralelamente, o governo busca evitar outro fator de desgaste: o aumento da conta de luz. A estratégia em estudo é conceder crédito às distribuidoras para postergar reajustes tarifários para 2027. A medida já foi usada em crises anteriores e também em eleições anteriores, quando Dilma Rousseff se reelegeu. Embora alivie o bolso dos consumidores no curto prazo, transfere o impacto para o futuro.

Em resumo, o Planalto tenta ganhar tempo: aliviar dívidas e segurar tarifas para não ampliar a pressão sobre a popularidade de Lula às vésperas da disputa eleitoral.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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