Em Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari (RS), a violência contra animais voltou a ganhar contornos de sadismo explícito diante da impunidade: um cão comunitário foi usado como alvo de tiros. Encontrado agonizando perto de uma lixeira, o animal foi resgatado por voluntários que inicialmente suspeitaram de atropelamento. Mas os exames revelaram o horror: quatro disparos de chumbinho atingiram coluna, pescoço e abdômen. O cão sobreviveu, está internado e recupera movimentos, mas o destino é cruelmente previsível — receber alta, voltar às ruas e continuar exposto ao risco, se não for adotado.
A ponte da barbárie
No mesmo estado, o Vale do Rio Pardo registrou outro episódio grotesco: cinco cães foram jogados sob uma ponte na RS-412, entre Vera Cruz e Santa Cruz do Sul, e um sexto foi encontrado enforcado em matagal. A Polícia Civil investiga e não descarta nenhuma hipótese, mas já suspeita que os animais tenham sido desovados após a morte. O detalhe que escancara a crueldade: sinais de cuidados veterinários recentes, como castração e curativos. Não eram cães invisíveis, mas bichos que estavam sob tratamento e simplesmente desapareceram.
O déjà vu do horror
O caso do Cão Orelha, brutalmente agredido em São Paulo e transformado em símbolo nacional, ainda ecoa. Mas casos como o do Orelha acontecem diariamente no Brasil. A Lei Sansão, que prevê até cinco anos de prisão por maus-tratos, parece letra morta diante da impunidade que reina e das brechas na legislação que dificultam a punição dos agressores.
A conta que nunca fecha
Voluntários e ONGs tentam tapar o buraco deixado pelas leis brandas, mas o ciclo da violência se repete sem freio. Animais são descartados como lixo, usados como alvo de tiros ou enforcados como se a vida deles não importasse. A polícia pede ajuda da população, mas a sensação é de que estamos diante de mais uma tragédia que será engolida pelo esquecimento.
