Síndicos em alerta: nova tributação vai pesar no caixa dos condomínios

Jefferson Lemos
Os condomínios passarão a ser considerados contribuintes finais, sem direito a créditos tributários ao longo da cadeia produtiva (Reprodução)

A partir de 2027, os condomínios brasileiros terão de lidar com uma nova realidade financeira. A Reforma Tributária, que institui a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), promete alterar profundamente a forma como os serviços são tributados, pressionando os orçamentos e exigindo uma gestão mais estratégica de síndicos e administradoras.

Segundo o professor de Contabilidade da FECAP, Tiago Slavov, os condomínios passarão a ser considerados contribuintes finais, sem direito a créditos tributários ao longo da cadeia produtiva. “Todo o imposto incidente sobre os serviços será incorporado ao preço final. Na prática, o condomínio passa a arcar integralmente com o impacto da nova tributação”, explica.

Serviços na mira da tributação

O maior impacto virá da contratação de serviços. Empresas enquadradas nos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real estarão sujeitas às novas alíquotas, que podem chegar a 26,5% para serviços em geral e entre 18% e 19% para profissões regulamentadas.

“Esse patamar é elevado e tende a ser repassado ao consumidor final. Para os condomínios, isso significa aumento da taxa condominial, já que serviços como portaria, limpeza, manutenção, segurança, elevadores e jardinagem representam a maior parte do orçamento mensal”, alerta Slavov.

Gestão estratégica: de diferencial a obrigação

Diante desse cenário, a escolha de fornecedores passa a ser decisiva. “Não basta olhar apenas para o valor do contrato. Será essencial avaliar o regime tributário do prestador e a composição dos custos envolvidos”, reforça o especialista.

Entre as estratégias para reduzir o impacto, Slavov aponta:

– Contratação de MEIs e empresas do Simples Nacional: com carga tributária menor, oferecem preços mais competitivos para serviços recorrentes.
– Avaliação criteriosa em contratos com fornecimento de materiais: empresas do Lucro Presumido ou Real podem recuperar créditos sobre insumos, equilibrando o custo final.
– Planejamento financeiro e revisão de contratos: renegociação e controle rigoroso das despesas deixam de ser diferenciais e tornam-se práticas indispensáveis.

O futuro da gestão condominial

Para Slavov, a administração financeira dos condomínios entrará em uma nova fase. “Será preciso revisar contratos, reavaliar fornecedores e planejar o orçamento com muito mais critério, para evitar aumentos abruptos na taxa condominial e garantir a sustentabilidade das contas”, conclui.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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