A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, conquistou neste domingo (8) uma vitória eleitoral considerada histórica, consolidando o domínio de seu Partido Liberal Democrático (PLD) na câmara baixa do Parlamento. A conservadora, inspirada pela britânica Margaret Thatcher, assegurou 328 das 465 cadeiras, garantindo não apenas maioria simples, mas também uma maioria qualificada com o apoio do parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão (Ishin).
O resultado abre caminho para sua agenda ousada: cortes de impostos que preocupam investidores e um aumento expressivo nos gastos militares, voltados para conter a influência da China na região.
Eleição antecipada em meio à neve
Takaichi convocou uma rara eleição de inverno para capitalizar sua popularidade crescente desde que assumiu a liderança do PLD no fim do ano passado. Apesar das nevascas recordes que dificultaram o acesso às urnas, os japoneses compareceram em massa.
A promessa de suspender o imposto de 8% sobre alimentos atraiu famílias pressionadas pela inflação, mas gerou apreensão nos mercados internacionais diante da elevada dívida pública japonesa.
Apoio internacional e tensões regionais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio total a Takaichi e já anunciou que a receberá na Casa Branca no próximo mês. Em contrapartida, Pequim reagiu com críticas, acusando a líder japonesa de reviver o passado militarista do país.
A tensão com a China se intensificou após Takaichi detalhar como o Japão poderia responder a um ataque contra Taiwan. Pequim chegou a recomendar que seus cidadãos evitassem viagens ao Japão.
Popularidade e ‘Sanae-mania’
Além de conquistar os jovens eleitores, Takaichi inspirou uma verdadeira febre cultural: acessórios como sua bolsa e a caneta rosa usada no Parlamento viraram objetos de desejo. O fenômeno, apelidado de “sanakatsu” ou “Sanae-mania”, reforça sua imagem de líder carismática e determinada.
O futuro do Japão sob Takaichi
Com um mandato robusto, a primeira-ministra promete acelerar reformas fiscais e fortalecer a defesa nacional. O Japão entra em uma nova fase política: mais assertiva, nacionalista e com forte respaldo popular.
