A cada novo crime, a pergunta se repete: até quando a impunidade vai continuar matando os cães? Em São Paulo, um cachorro comunitário foi executado com mais de dez disparos de revólver em plena Avenida Ragueb Chohfi, zona leste da capital. O atirador, ainda não identificado, discutia com uma mulher, irritou-se com os latidos do animal e resolveu descarregar a arma contra o cão. Fugiu em seguida, deixando para trás apenas o corpo e a revolta.
O registro burocrático
O caso foi anotado no 49º Distrito Policial de São Mateus, sob investigação por abuso contra animais e disparo de arma de fogo. Até agora, nenhuma prisão. O roteiro é conhecido: crime bárbaro, vídeo viral, investigação… para no fim não dar em nada.
A legislação que protege pouco
A impunidade não nasce do nada. Ela é alimentada por uma legislação ultrapassada e branda, que trata crimes contra animais como se fossem meros “incidentes”. Apesar de avanços recentes, como a Lei Sansão de 2020 que endureceu penas para maus-tratos, na prática os processos se arrastam, as punições raramente são aplicadas e os agressores seguem livres. Resultado: a violência se repete, sem medo de consequências.
A ironia institucional
No mesmo dia em que o cachorro foi executado, o governo paulista sancionava a lei que reconhece o “vira-lata caramelo” como expressão cultural do estado. Uma homenagem que soa como sarcasmo diante da realidade: o caramelo é celebrado no papel, mas continua vulnerável nas ruas.
Casos que se acumulam
Não é episódio isolado. Em Santa Catarina, o cão Orelha foi espancado por quatro adolescentes na Praia Brava e morreu no dia seguinte. No Paraná, o cachorro Abacate foi morto com um tiro em Toledo. Em todos os casos, a polícia “investiga”. Enquanto isso, a sociedade assiste, entre indignação e descrença, ao festival de impunidade.
