Análise da semana: A força do interior

Lucas Mathias

A semana fecha com cenário muito positivo para a direita e, em contrapartida, muito ruim para Eduardo Paes (PSD). Depois celebrar a aliança com o MDB de Washington Reis ao convocar sua irmã, Jane Reis, como pré-candidata a vice, o prefeito do Rio viu forte reação de seus opositores, com uma chapa robusta e que traz consigo um bloco poderoso.

Principal trunfo reeleição de Cláudio Castro (PL) ao governo do Rio em 2022, a força do interior do estado será uma das grandes armas da campanha de Douglas Ruas (PL) para chegar ao Palácio Guanabara nas eleições deste ano. Basta analisar a aliança desenhada por seu partido até aqui: juntos, PL, União Brasil, PP e Agir somam hoje 52 prefeituras, a maioria dentre os 92 municípios fluminenses. E a ideia é que esse número aumente ainda mais, conforme avançam as negociações.

A meta, claro, é repetir a hegemonia de Castro há quatro anos. Na ocasião, o governador teve o apoio de mais de 80 prefeitos no estado e venceu no primeiro turno, com 58,67% dos votos.

Tal perspectiva dá o tom do quão difícil será a vida de Eduardo Paes. Se somadas as prefeituras de seu partido, o PSD, além de MDB e PT, a conta chega a somente 16 municípios controlados pelo grupo. É claro que pesa o comando da capital carioca, cidade mais populosa do estado e onde o prefeito venceu com folga. Mas é bom lembrar: no pleito municipal de 2024 na cidade do Rio, Paes teve 60%, mas Ramagem (PL) atraiu 30% dos eleitores. A expectativa, agora, é que Douglas Ruas tenha um desempenho ainda maior que o correligionário, impulsionado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Afinal, não é só no interior que o bolsonarismo tem mostrado maioria entre os eleitores no Rio. Em 2022, na capital, Jair Bolsonaro marcou 52,66% dos votos, ante 47,34% de Lula (PT). Um alerta do que pode acontecer.

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