Câmara do Rio aciona MP contra bar por placa antissemita

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

A polêmica em torno do bar Partisan, na Lapa, ganhou novos desdobramentos. A Câmara Municipal do Rio encaminhou ao Ministério Público do Estado (MPRJ) uma notícia-crime pedindo investigação sobre a placa exibida pelo estabelecimento com a frase, em inglês: “cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos”. A sucessão de episódios acende um alerta sobre práticas antissemitas em estabelecimentos comerciais do Rio.

A iniciativa partiu da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo e foi formalizada pelo vereador Pedro Duarte (PSD), que também registrou boletim de ocorrência por xenofobia. O parlamentar solicita abertura de inquérito, diligências no local e apuração sobre o período em que o aviso permaneceu exposto. Para Duarte, a mensagem pode configurar prática discriminatória e violar princípios constitucionais, cabendo reparação por dano moral coletivo.

Multa e mobilização imediata

O caso provocou reação rápida da Secretaria de Defesa do Consumidor, que acionou o Procon Carioca. Após vistoria, o bar foi multado em R$ 9.520. A frente parlamentar reforçou a denúncia aos órgãos competentes ainda no sábado. Porém, o MPRJ não havia se manifestado.

Bar nega discriminação

Em nota, o Partisan afirmou que não restringe entrada por nacionalidade, religião ou etnia. Segundo o comunicado, a placa deve ser entendida como manifestação política e simbólica, sem efeito prático de impedir clientes. O estabelecimento declarou manter compromisso com os direitos humanos e disposição para diálogo com sociedade e instituições.

Casos semelhantes no Rio

O episódio não é isolado. No Recreio dos Bandeirantes, o restaurante Porco Gordo também foi multado em R$ 9.520 após publicar em rede social a bandeira de Israel com um “X” sobre a imagem, acompanhada da frase: “Também não são bem-vindos aqui”. Para o Procon, a conduta caracteriza discriminação nas relações de consumo.

Outro caso ocorreu na Cobal do Leblon, onde uma consumidora denunciou ter ouvido de um funcionário da loja Delly Gil que o estabelecimento não compraria mais produtos judaicos por estar “cansado dos judeus”. O Procon classificou a atitude como grave e incompatível com os princípios de respeito e igualdade previstos na legislação.

Compartilhe Este Artigo
Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *