A pesquisa AtlasIntel, divulgada em parceria com a Bloomberg nesta quarta (25), trouxe um dado inédito e de forte repercussão política: pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno das eleições de 2026. A diferença ainda é mínima — apenas 0,1 ponto percentual (46,3% contra 46,2%) e considerada empate técnico — mas suficiente para acender o alerta no Palácio do Planalto e marcar uma virada simbólica no cenário eleitoral.
Carnaval como catalisador
O levantamento, divulgado após a polêmica gerada na Sapucaí, quando uma ala da Acadêmicos de Niterói ironizou conservadores, mostrou ainda o estrago do desfile que transformou ‘carnaval em comício’. O episódio foi amplamente explorado por adversários políticos e, segundo analistas, pode ter contribuído para o desgaste ainda maior da imagem de Lula junto ao eleitorado mais crítico. A festa popular, tradicionalmente marcada pela irreverência, acabou se transformando em combustível para narrativas eleitorais.
Repercussão imediata
A reação foi imediata. A base governista já discute estratégias para conter os danos e recuperar terreno perdido. No primeiro turno, Lula ainda lidera com 45% das intenções de voto contra 37,9% de Flávio, mas a diferença vem diminuindo: em janeiro, o petista tinha 48,8% contra 35% do senador. O recuo do presidente e o crescimento consistente do adversário mostram que a disputa está se afunilando rapidamente.
Avaliação do Governo Lula
A pesquisa também pediu aos eleitores que avaliassem o governo Lula. 48,4% dos entrevistados disseram considerá-lo ruim ou péssimo, enquanto apenas 42,7% o classificaram como ótimo ou bom.
O que está em jogo
O resultado da pesquisa expõe fragilidades na campanha de Lula e abre espaço para que a oposição capitalize o momento. Mais do que números, a virada de Flávio Bolsonaro representa um marco simbólico: pela primeira vez, o presidente aparece atrás em um cenário de segundo turno. A disputa, que parecia confortável para Lula no início do ano, agora se mostra cada vez mais acirrada e imprevisível.
A pesquisa
Para o levantamento, foram entrevistados 4.986 eleitores por recrutamento digital aleatório de 19 a 24 de fevereiro. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-07600/2026 e teve um custo de R$ 75.000, pagos pela própria empresa.
