Feliz ônibus velho: Niterói entra em 2026 com veículos de quase 15 anos

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Veículo sem ar-condicionado circula pelo bairro do Caramujo - Foto: Reprodução/Redes sociais

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), sonhou com os Jogos Pan-Americanos, jura que vai implementar uma linha de VLT na cidade, mas acordou com uma realidade bem diferente — e amarga. O município entrou em 2026 com ônibus de quase 15 anos de uso em sua frota. Quem sofre, claro, são os usuários de um sistema obsoleto e cada vez mais precário e que não recebe a devida fiscalização do Executivo.

A crise no sistema municipal de transportes contrasta com os utópicos planos do alcaide e de seu grupo político. Como tem sido recorrente nas gestões de Neves e seu afilhado Axel Grael (PDT), a região menos favorecida é a Norte, onde ficam concentrados os bairros de menor poder aquisitivo, atendida pelo consórcio Transnit.

A empresa Peixoto, que atende bairros como Fonseca e Ilha da Conceição, opera com veículos ano 2013 e, pasmem, ainda sem ar-condicionado. Ela até possui ônibus refrigerados em sua frota — os mais novos dela, por sinal — que também datam do mesmo ano. De longe a frota mais envelhecida e precária do município.

Na viação Ingá, que por sinal é controladora da Peixoto, a situação não é diferente. Apesar de possuir frota totalmente refrigerada, ela ainda circula com ônibus ano 2012, adquiridos na ocasião da implementação do sistema de consórcios. A malandragem é que, em linhas que atendem bairros mais vulneráveis, como o Caramujo, é corriqueiro que a empresa apele aos coletivos sem ar-condicionado de sua subsidiária.

O panorama se repete nas outras duas empresas do consórcio Transnit, Barreto e Brasília, que são controladas pelo mesmo grupo empresarial. Elas possuem em suas frotas ônibus fabricados em 2013, comprados já usados. Alguns desses carros, inclusive, já bateram ponto no consórcio Transoceânico, que atua nas zonas Sul e Oceânica, de maior poder aquisitivo — e que costumam receber a atenção total do governo de Rodrigo Neves.

Ainda há uma quinta empresa no consórcio Transnit: a viação Araçatuba. Contudo, a lógica dela não é a mesma das demais, visto que as quatro linhas que possui atendem exclusivamente a Zona Sul. Dessa forma, seus veículos são novos e refrigerados. Além disso, ela tem entre seus controladores os mesmos da viação Pendotiba, líder do consórcio Transoceânico.

Preso por suspeita de irregularidades com empresas de ônibus

Em dezembro de 2018, Rodrigo Neves foi preso na Operação Alameda, uma ação de desdobramento da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Civil, através da Delegacia Fazendária (Delfaz) e Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). As investigações apontavam para desvios superiores a R$ 10 milhões dos cofres públicos para pagamentos ilegais.

Na época, a Civil divulgou que a ação era “contra uma organização criminosa acusada de corrupção ativa e passiva, através do recebimento de propina paga por empresários do transporte público rodoviário para agentes públicos de Niterói”. Neves ficou preso por 93 dias, mas em 2023 a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) encerrou o processo contra o pedetista, por falta de provas de ato ilícito, pelo placar de cinco votos a zero.

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