Senador propõe marco legal para inclusão de pessoas com altas habilidades

Jefferson Lemos
Foto - Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Bruno Bonetti (PL-RJ) apresentou ao Congresso um projeto de lei que pode mudar radicalmente a forma como o Brasil trata pessoas com altas habilidades. A proposta, batizada de Lei de Inclusão de Superdotados e de Produção de Dados e Estudos Longitudinais sobre a Superdotação, cria um marco legal inédito para garantir identificação precoce, educação personalizada, suporte em saúde mental e políticas públicas específicas.

Definição inédita em lei

O texto (PL 1.487/2026) estabelece que a pessoa superdotada é aquela com potencial neurobiológico para maior eficiência e conectividade cerebral, exigindo percurso educacional individualizado. O projeto também reconhece a chamada dupla excepcionalidade, quando a superdotação aparece junto a condições como TEA, TDAH, dislexia ou outras neurodivergências.

Educação sob medida

Entre os principais pontos, estão:
– Plano Educacional Individualizado (PEI)
– Aceleração de estudos
– Atendimento educacional especializado facultativo
– Adaptações em vestibulares, ENEM e concursos públicos
– Formação continuada obrigatória para professores e profissionais da saúde

Saúde mental e direitos

A proposta prevê ainda um Programa Nacional de Atenção à Saúde Mental de Superdotados, com suporte psicológico e psiquiátrico especializado. Haverá também um canal de denúncias para violações de direitos e um selo de qualidade para instituições que adotem boas práticas.

Preenchendo uma lacuna histórica

Na justificativa, Bonetti afirma que a ausência de uma legislação federal específica tem levado à invisibilidade e negligência sistemática dessa população. Embora a LDB reconheça direitos como aceleração de estudos, a falta de regras claras teria aberto espaço para barreiras burocráticas e interpretações equivocadas.

Adaptações em concursos e formação profissional

O projeto prevê medidas como tempo adicional de prova, ambientes com menos estímulos sensoriais, uso de tecnologia assistiva e critérios diferenciados de correção em provas discursivas. Além disso, a formação sobre superdotação passará a integrar concursos do magistério, progressão na carreira docente e capacitação de profissionais do SUS.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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