A eleição presidencial de 2026 começa a se desenhar sob um eixo já conhecido — e, até aqui, difícil de romper. Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda (27) indica que a força eleitoral do senador Flávio Bolsonaro tem sido determinante para bloquear o avanço de uma terceira via competitiva, ao concentrar votos e consolidar um dos polos centrais da disputa.
Base sólida e voto consolidado
O principal ativo de Flávio Bolsonaro neste momento é a consistência de sua base eleitoral. Entre os eleitores que já escolheram candidato, a maioria afirma que não pretende mudar o voto — e, no caso do senador, o índice de fidelidade é elevado.
Esse cenário cria uma espécie de “piso eleitoral” robusto, que garante presença constante nos primeiros lugares das pesquisas e reduz significativamente o espaço disponível para o crescimento de candidaturas alternativas.
Domínio no campo da direita
Nos cenários testados, Flávio Bolsonaro aparece liderando ao lado de Lula, com percentuais que variam entre 36% e 38% no primeiro turno, sempre à frente de outros nomes da direita e com ampla vantagem sobre possíveis candidatos de terceira via. No segundo, surge tecnicamente empatada como Lula: o presidente tem 46% e Flávio Bolsonaro 45%.
Figuras como Romeu Zema e Ronaldo Caiado seguem distantes, sem conseguir romper a barreira imposta pela concentração de votos no campo bolsonarista.
Além disso, uma parcela expressiva do eleitorado menciona Flávio em todos os cenários apresentados, o que reforça a ideia de voto estruturado e recorrente.
Cenário 1:
- Flávio Bolsonaro, 36%;
- Romeu Zema (Novo); 4%,
- Ronaldo Caiado (PSD), 3%;
- Renan Santos (Missão), 3%;
- Augusto Cury (Avante) 2%;
- Cabo Daciolo (Mobiliza); 1%; e
- Aldo Rebelo (DC), 1%.
- Brancos, nulos ou nenhum somam 6%, e não sabem ou não responderam, 2%.
Cenário 2:
- Flávio Bolsonaro com 36%;
- Romeu Zema com 5%;
- Ronaldo Caiado e Renan Santos com 4% cada; e
- Aldo Rebelo com 1%.
- Brancos, nulos ou nenhum somam 7%, e não sabem ou não responderam, 2%.
Cenário 3:
- Flávio Bolsonaro, 38%;
- Ronaldo Caiado, 6%;
- Renan Santos, 4%; e
- Aldo Rebelo, 1%.
- Brancos, nulos ou nenhum somam 7%, e não sabem ou não responderam, 2%.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro: 74% dizem que a decisão está tomada; apenas 25% afirmam que ainda podem mudar; 1% não sabe ou não respondeu.
Terceira via perde espaço na fragmentação
Embora exista uma fatia do eleitorado que declara preferência por uma alternativa fora dos polos tradicionais, esse grupo não se organiza em torno de um nome competitivo.
Na prática, os votos se dispersam: parte migra para outros candidatos, parte acaba convergindo para o próprio Flávio Bolsonaro, enquanto uma parcela opta por votos brancos, nulos ou indecisão.
Essa fragmentação impede a formação de uma candidatura com densidade suficiente para ameaçar o protagonismo já estabelecido.
Eleição já nasce travada
O conjunto dos dados aponta para um cenário de forte concentração de votos e baixa mobilidade eleitoral. Com uma base fiel e consolidada, Flávio Bolsonaro não apenas se mantém competitivo, como também atua, na prática, como um bloqueio à emergência de uma terceira via.
Se o quadro atual se mantiver, a disputa de 2026 tende a seguir o roteiro recente da política brasileira: poucos protagonistas, eleitorado dividido e espaço cada vez mais estreito para alternativas fora dos polos dominantes.
A pesquisa foi realizada pela Nexus por telefone, entre os dias 24 e 26 de abril, com 2.028 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-01075/2026.
